Com Regina Monteiro, OOH Summit Brasil encerra primeira edição com debate sobre mídia regenerativa e o futuro da atenção nas cidades
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Com mil participantes reunidos, o OOH Summit Brasil 2026 encerrou o segundo dia de sua primeira edição nesta quinta-feira (19), no Villa Blue Tree, em São Paulo. Realizado pela Central de Outdoor, maior associação de mídia OOH do país e uma das cinco maiores do mundo, o evento é o principal encontro da mídia exterior no país, reunindo lideranças e especialistas do setor para discutir o papel do OOH nas cidades, sua evolução e os caminhos para o futuro do meio no Brasil.

Um dos principais destaques da programação foi o painel “Mídia Regenerativa: Um Novo Papel para a Comunicação Urbana”, que reuniu Amanda Vettorazzo, vereadora da cidade de São Paulo; Regina Monteiro, arquiteta e urbanista, especialista em paisagem urbana e regulação da comunicação visual e presidente da CPPU; Sérgio Ávila Rizzo, geógrafo, pesquisador e consultor especializado em mídia exterior e paisagem urbana; e Felipe Davis, diretor de novos negócios da Central de Outdoor e moderador do debate. 

A conversa trouxe reflexões sobre o papel da mídia exterior na construção de cidades mais organizadas, sustentáveis e conectadas com a população, além de referências internacionais como o projeto do Boulevard São João.

Entre os principais pontos discutidos, Regina Monteiro destacou que o conceito de mídia regenerativa está diretamente ligado à forma como a comunicação se integra à paisagem urbana, contribuindo para a leitura da cidade sem gerar saturação visual. Segundo ela, o equilíbrio é fundamental: “Quando a gente tem um monte de alguma coisa boa, ela vira poluição. É preciso ter medida e entender quando a comunicação contribui ou apenas ocupa espaço”.

A urbanista também ressaltou que o Brasil tem potencial para se tornar referência internacional ao adotar modelos mais equilibrados de comunicação urbana, desde que haja critério, planejamento e integração com o ambiente urbano. Nesse contexto, ela defendeu o uso de instrumentos como os termos de cooperação, que permitem testar soluções de forma temporária e ajustável, estimulando a inovação com responsabilidade. “O termo de cooperação é interessante porque permite testar: se deu certo, continua; se não deu, ajusta. Assim a gente consolida as regras com mais segurança”, afirma a urbanista. 

Já a vereadora Amanda Vettorazzo enfatizou a importância da atuação conjunta entre o poder público e a iniciativa privada para viabilizar projetos urbanos transformadores. Segundo ela, o equilíbrio entre inovação e preservação da paisagem passa pelo diálogo entre diferentes setores: ”Temos aqui o legislativo, o executivo e as empresas. Esse equilíbrio é o que faz dar certo”.

A parlamentar também trouxe como referência o processo de revitalização do centro, destacando o papel da comunicação e da publicidade como um dos elementos que contribuíram para a requalificação urbana e atração de pessoas, turismo e investimentos. Para ela, iniciativas semelhantes podem impulsionar regiões centrais de São Paulo, aliando desenvolvimento econômico à melhoria da experiência urbana.

Complementando a discussão, Sérgio Rizzo destacou que o ponto de partida para qualquer projeto de comunicação urbana regenerativa é o entendimento profundo da cidade, sua formação, dinâmica e necessidades. “Antes de pensar em projetos, é preciso entender o DNA da cidade, suas potências e seus desafios”.

O especialista também ressaltou que a mídia pode atuar como ferramenta de revitalização, especialmente em áreas centrais, contribuindo para atrair fluxo de pessoas, valorizar patrimônios e promover inclusão urbana. Segundo ele, a comunicação deve ir além da exposição e gerar impacto concreto na experiência da população.

A discussão reforçou o movimento de transformação do OOH, que passa a atuar não apenas como mídia, mas como agente ativo na qualificação do espaço urbano e na experiência das pessoas nas cidades.

Felipe Davis, diretor de novos negócios da Central de Outdoor e moderador do painel, reforçou o papel da autorregulação e da construção coletiva como base para o avanço do setor. “Setores maduros não esperam a crise para agir, eles constroem os próprios critérios. A autorregulação não é apenas uma ferramenta de organização, mas uma infraestrutura de confiança para o mercado”, destacou o executivo.

O evento também foi marcado pelo lançamento do Manifesto do OOH Brasileiro, apresentado pela Central de Outdoor durante o primeiro dia do OOH Summit Brasil 2026. A iniciativa integra o Plano Nacional de Autorregulação das afiliadas da entidade e consolida diretrizes que orientam a atuação responsável das empresas exibidoras em todo o país, reforçando princípios como ética, legalidade, segurança operacional e respeito à paisagem urbana. Com apoio de entidades como FENAPRO e CONAR, o documento reforça o compromisso da mídia exterior com práticas mais responsáveis, sustentáveis e alinhadas à dinâmica das cidades, fortalecendo o papel do OOH como agente de transformação urbana. O Manifesto pode ser acessado na íntegra pelo link: https://centraldeoutdoor.org.br/ebooks

Empresas independentes ganham protagonismo no setor

Outro destaque do dia foi a participação de Guilherme Meyer, CEO da VEX e diretor secretário da Central de Outdoor, que apresentou o tema “Como Empresas Independentes Competem e Crescem em Mercados Consolidados”. Em sua fala, destacou o papel estratégico das empresas independentes no crescimento do setor, reforçando que o mercado não deve ser encarado como uma disputa de “Davi contra Golias”, mas como um ecossistema onde diferentes players coexistem e se fortalecem.

Guilherme também apontou que empresas independentes possuem vantagens competitivas importantes, como velocidade na tomada de decisão, proximidade com o mercado local, especialização em nichos, capacidade de experimentação e identidade própria. Segundo ele, essas características permitem maior adaptação e inovação, contribuindo para o crescimento do setor como um todo, inclusive com a ampliação do investimento publicitário no país.

A programação também trouxe uma abordagem científica sobre o impacto do meio com a apresentação “O OOH sob o olhar da neurociência”, conduzida por Rodrigo Rodrigues, CMO da OOH Brasil, explorando como o comportamento e a atenção do consumidor se relacionam com a mídia exterior no ambiente urbano.

Encerrando o evento, Michel Alcoforado, antropólogo e PhD em Antropologia do Consumo apresentou o tema “OOH e a Economia da Atenção”, destacando o papel do OOH em um cenário de excesso de estímulos e disputa constante pelo olhar do consumidor, reforçando a relevância do meio como plataforma de presença e impacto nas cidades.

O segundo dia do OOH Summit reforçou o momento de evolução da mídia exterior no Brasil, cada vez mais orientada por dados, criatividade, integração e impacto urbano, consolidando seu papel estratégico no planejamento de comunicação das marcas.

O OOH Summit Brasil 2026 contou com patrocínio master da NEOOH e THE LED, além do apoio de importantes empresas do setor, como OOH Brasil, Amplilume, Inviron, Mundo de LED e WDC Networks.